Político-psicanálise V: – o nosso grande problema: a corrupção?


Certa relação de causa sistêmica a efeito de superfície funciona desse jeito: se eliminamos um efeito, a causa produz, repete, o efeito seguinte numa série indefinida. Um efeito deixa de ser, outro, outros ocupam seu lugar.

O nosso problema político, portanto, não é a corrupção, não é uma questão moral, de fraqueza moral dos políticos profissionais. Tomar a corrupção como o nosso problema por excelência encobre a realidade do real político. Toma o efeito pela causa.

A corrupção é apenas um dos derivados, e não o mais importante, do regime dos modos de ser, do modo de funcionamento do ser político historicamente constituído, da nossa ontologia política, da história da constituição dos nossos modos de ser politicamente entre os outros.

Nosso atoleiro, nossa repetição compulsiva, isso em que ainda nos eternizamos, ainda é a escravidão – ou seja, um tipo de relação política de produção. Uma fixação histórica. Na repetição, o tempo não passa.







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