Insurreição brasileira II – ir multiplamente



O múltiplo muito vai às mentes, aos corpos, às ruas.

O que queremos? Um fim, um objeto? De onde viemos? Por que vamos? De ou por uma causa?

Não podia ser diferente, as reivindicações são, a princípio, múltiplas e, enquanto múltiplas, disparates. Dar um sentido, uma direção, uma interpretação, aos issos que acontecem é reduzir o múltiplo muito ao pouco um. Um é sempre pouco.

Cuidemo-nos, portanto, com as interpretações derradeiras dos objetos, com as finalidades últimas, pois, juntos ao que está diante de nosssos olhos, como um objeto e como um fim, estão sempre o nariz e a própria visão própria. A interpretação objetal derradeira nos tranquiliza, mas apenas na medida em que domina seu objeto e por ele é dominada. A indicação de um fim último nos orienta, porém, nessa orientação, um fim se dá como nosso guia.

E, no agora vai, trata-se de desdominar-se, de desguiar-se, de inventar, de iniciar, de ir. De ir multiplamente. Na potência, não por um poder.

Sem a memória, não poderíamos sequer pensar. Por isso, nosso pensamento requer, como costume, interpretações. Mas, também por isso, a interpretação introduz um passado no presente, quando, no presente que vai, no agora vai, já há também o futuro do ir – o ainda-não-já-presente.

ainda-não-já-presente não é jamais totalmente interpretável. Ele abre, no presente, uma incompletude.

No ir multiplamente, por múltiplas vias, com o múltiplo muito, não se trata de ir a um lugar, mas de sair deste.



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