Camponeses e bandidos


– Os sete samurais (Kurosawa, 1954) –

Três tipos humanos (três disposições afetivas): o camponês, o samurai, o bandido. Destes, os dois primeiros são puros:

O camponês é o humano submetido às paixões cativantes: mediocridade, superstição, medo, esperança, humildade, mesquinharia, espírito de poupança, contenção, vingança, coletivismo, trabalho e reprodução – aliado à natureza vital, é o alimento e a condição do humano animal.

O samurai é o individual virtuoso, livre: ambição (amor à honra), gosto do risco e da arte da guerra, coragem frente à morte, grandeza da alma, tragicidade (em todas as situações, sempre sai perdendo, e se sabe assim; por isso, desaparecerão), amor do expoente – é capaz do sacrifício da condição natural da qual depende.

O bandido é o revoltado covarde: preguiçoso, desregrado demais para aceitar a condição camponesa, mas pequeno e vicioso demais para se tornar um samurai.

No filme: Kikuchiyo, nascido camponês, se torna samurai e morre. Mantém, num só, a animalidade camponesa, a determinação e o individual samurai; por isso é cômico, tanto para camponeses, como para virtuosos.

Os samurais desapareceram desde então (século XVI).
Restaram os camponeses e os bandidos que somos.


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