Ciência intuitiva


Um longo trem é dificilmente apreensível, desde a estação, num só golpe do olhar. Devido à limitação do nosso escopo visual, seguimos apenas a ordem dos vagões, que passam diante de nossos olhos, um após o outro. Temos um vagão à vista, e já deixamos de ver os que havíamos visto.

O mesmo se dá com os elementos que constituem uma ideia. Passamos de um a outro, certos de sua conexão, até chegarmos na ideia. Mas nessa passagem, devido à estreiteza da nossa atenção, abandonamos esses elementos constituintes, à medida que nos concentramos num deles. Assim, estamos certos da ideia apenas porque fomos capazes de seguir seus elementos em sua conexão. Mas não temos a ideia toda, com todos os seus elementos constitutivos, simultaneamente, presentes em nossa mente. Da mesma maneira que temos a visão do trem, apenas porque vimos desfilar os seus vagões.

Eu disse, no entanto, estreiteza da nossa atenção e não de nossa mente. Se conseguirmos nos desvencilhar da atenção e da sua parcialidade, e nos entregarmos à confiança do pensamento: eventualmente, teremos a totalidade da ideia em mente. Isto é o que poderíamos chamar de ciência intuitiva.


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