‘desejo’, antes de ser outra coisa, é um lugar para o meu olhar.
‘desejo’ me aparece, primeiro, em sua materialidade de palavra, como um certo arranjo de algumas letras do alfabeto. Letras são figuras, são imagens visíveis, desenhadas ou impressas sobre papel ou tela. Nós, leitores, porém, nos habituamos a tomar essas figuras como sinais para fonemas. Por isso, lidamos com a palavra escrita como se, a partir dela, ouvíssemos, ou pudéssemos ouvir, uma sequência sonora limitada no tempo, com variações internas de qualidade e intensidade, que surge do silêncio e se acaba nele.
Mas quero tratar ou brincar com a palavra ‘desejo’ em sua visibilidade, enquanto imagem visual (e, portanto, atemporal). Se apago a calda da letra j, fico com a figura i. A palavra ‘desejo’, com isso, fica assim: ‘deseio’.
Posso introduzir nessa imagem, um espaço em branco, de tal maneira a obter ‘de seio’. Desde então, meu olhar passa a ver no lugar do ‘desejo’ também ‘de seio’.









